Montag, April 23, 2007

LÁ FORA E CÁ DENTRO

A loucura dos homens não é apenas uma questão do passado.
Habita o nosso mundo, o nosso tempo
e está aqui mesmo ao lado.
Uma afro-americana residente no bairro nova-iorquino do
Bronx desabafava, esta semana, aos microfones de uma
televisão norte-americana: "estávamos convencidos
de que o mundo estava a avançar, mas afinal estamos
num terrível retrocesso".Percebe-se o desânimo.
Acabava de ser confrontada com a notícia de que um oficial
alemão treinava a pontaria dos seus soldados
incentivando-os a imaginar que os alvos a abater
eram negros do Bronx.Pior, se é que nesta enormidade
ainda pode haver pior: não bastava acertar nos alvos,
era também preciso humilhá-los, insultando as vítimas
sempre mais e mais e com maior agressividade.
As imagens deste treino, onde é clara a identificação do
oficial responsável, apresentam 30 segundos de absoluta náusea.
Na Alemanha, deixaram o povo e os responsáveis em estado
de choque.O mundo ficou a saber, na semana em que se
celebrava o dia da memória das vítimas do Holocausto,
que, afinal, a loucura dos homens não é apenas uma
questão do passado. Habita o nosso mundo, o nosso
tempo e está aqui mesmo ao lado.
Em Portugal um partido que se diz nacionalista
resolveu dar a conhecer o seu cariz xenófobo.
Entre os seus apoiantes, contam-se skinheads que
se celebrizaram numa trágica caça ao negro em pleno Bairro Alto.
"As ideias não se apagam, discutem-se!",
Diz um novo cartaz do mesmo partido.
É caso para acrescentar:
E a barbárie não se discute...
Combate-se!

Montag, März 12, 2007

O ESTADO DO ESTADO

Cada vez mais Portugal manifesta sinais se um profundo retrocesso
civilizacional, muito por culpa de certas medidas governamentais
tomadas a cru e que nivelam para baixo a qualidade de vida do
povo português.Um dos casos gritantes é o encerramento de
900 escolas a que o governo procederá no próximo ano, a que
acrescem as quase 2000 escolas fechadas no ano passado.
A isto se juntam as creches e o fim das urgências médicas,
hospitais e maternidades, numa tentativa óbvia de poupar
desalmadamente, cortando os mais elementares direitos
inscritos dos cidadãos.Este Governo tem tido uma abordagem
muito desumana no tratamento do povo português.
Exemplos correntes de mortes por incompetência, falta
de macas, corrupção na comparticipação de medicamentos,
entre outros, são medidas tomadas a frio e cortes nos sectores
mais necessários á vida do povo português, que assiste a um
silencio sepulcral por parte do Ministro da Saúde.
Não se entendem cortes numa escola que custa que custa
alguns milhares de euros, quando se prometem obras
desnecessariamente faraónicas, como a OTA e TGV.
Quantas mais pessoas precisarão de falecer a caminho
do hospital para que este Governo abra os olhos?

Mittwoch, Januar 24, 2007

O ESTADO DA (IN)JUSTIÇA

“Para o cidadão comum, a justiça em Portugal
não é só lenta ineficaz e injusta….é também Estúpida”

Uma figura pública (Luisao do Benfica) foi condenada
a trabalho comunitário depois de ter sido apanhada a
conduzir embriagada, com um nível de álcool no sangue
três vezes superior ao permitido por lei.
Vai poder continuar a conduzir porque o juiz entendeu,
fazendo uma interpretação extensiva da lei, que esta
era a pena que melhor se coadunava ao caso, substituindo
a apreensão da carta de condução por um serviço em prol
da comunidade. Ao comum dos cidadãos, o ordenamento
jurídico reserva uns bons meses sem carta, caso a mesma
coisa lhe aconteça. Mas o juiz entendeu que, neste caso,
uma interpretação fazia sentido e que uma pena diferente
beneficiava a comunidade e a reabilitação do prevaricador. (?)

É precisamente neste mesmo ordenamento jurídico que
serviu de base para condenar a 6 anos de prisão um pai
– não lhe podemos chamar outra coisa –
que se recusa a entregar a filha ao pai biológico,
sem que antes lhe garantam qualquer intervenção
no futuro da criança só porque, 5 anos depois alguém
se lembrou de dizer que também existia. Neste caso que
nada tem a ver com o primeiro, naturalmente, o juiz do
processo já achou que qualquer interpretação era
desnecessária, desapropriada e inadvertida.
Que nenhum sentido fazia em condescender, conciliar,
procurar uma alternativa que, não ilibando o ilícito em
causa, o ajudasse a solucionar.
A lei era para aplicar.

Sonntag, Januar 21, 2007

HIPOCRISIA POLITICA DOS POLITICOS

É um clássico.
Sempre que é preciso ganhar votos ou ficar “bem” na fotografia,
são apontados dois alvos: vão aos mercados vender o seu peixe,
ou receber beijinhos de uma espécie em vias de extinção que são
as crianças do interior do país.
Mas depois da campanha, por terras que eles próprios
desconheciam, sentam-se cátedra do poder e arrumam
a bandeira da anti-interioridade de desertificação que tanto
agitaram e legislam em sentido contrário.
É exactamente o que esta a fazer José Sócrates,
á frente do Governo. De registo transmontano e juventude
beirã, o primeiro-ministro sempre tão orgulhoso do seu
distrito Castelo Branco, esqueceu rapidamente as origens.
Começou por fechar as escolas, maternidades e urgências,
em nome de melhores condições (e menos custos) para
alunos, grávidas e doentes.
E como se não bastasse, acaba de dar mais uma contribuição
para o atraso, já irremediável, do interior do país ao permitir
que o preço do gás fosse diferente conforme a região.
O que faz que no interior, ao contrario dos grandes centros
urbanos o preço gás é mais caro.
Tal como a electricidade é um bem essencial.
Permitir preços diferentes no país é muito mais que travar
o desenvolvimento. É tratar os cidadãos de forma desigual.
É discriminação.

Montag, Januar 15, 2007

ABORTO

O aborto não é nem pode ser um assunto religioso,
tão pouco um assunto político, é um assunto que diz
respeito a todos os homens e mulheres.
Isto porque ele põe em causa o primeiro dos direitos que
todos nós devemos ter, o direito de existir.
Os defensores da legalização, ou da interrupção voluntária
da gravidez, defendem que a única maneira de acabar com os
graves riscos do aborto clandestino é permitir-se que a mulher
possa abortar em melhores condições de segurança, ou seja,
num centro hospitalar devidamente preparado, pois não se trata
de defender o aborto, mas tão só de constatar a sua existência e
de diminuir as suas consequências existentes.
Á primeira vista parece que apenas um profundo sentido
humanitário levaria a esta opinião.
Contudo para podermos julgar uma medida, temos de o fazer
em função dos resultados que com ela já se obteve, e que dela
se poderá esperar ao ser implementada; de facto o que se quer
dizer é que para legislar em qualquer Estado, que minimamente
se preze, deve ter-se em conta o que já se fez nessa matéria.
No campo da liberalização do aborto com o fim de fazer decrescer
o aborto clandestino e daí os seus riscos, temos de olhar ás
estatísticas dos países que tomaram essa iniciativa, analisando
os anos em que o aborto não era permitido e os valores depois
da sua liberalização.

Montag, Dezember 25, 2006

VIVER A MORTE

A morte é uma característica essencial da humanidade,
mas não é a única que tem consciência da inevitabilidade
da morte. A sociedade actual desenvolveu níveis notórios
de progresso cientifico-tecnico, também ao nível da medicina
e da melhoria da qualidade de vida, que altera a própria vida
da humanidade. Daqui surgiu uma nova cultura, com um
quadro axiológico próprio, ao que lhe podemos chamar
pós-modernidade. Esta cultura não aceita a morte, que se
converteu num facto escamoteado e numa doença social.
Num passado recente, a morte ocorria em casa, onde o moribundo
passava os últimos dias, num ritual familiar e social, hoje, a pessoa
falece em instituições hospitalares, rodeada de uma panóplia de
maquinas e soluções medicas, mas na maior solidão.
O direito a uma morte digna pressupõe a inviolabilidade de
uma vida humana, traduzida na condenação ética e jurídica da
eutanásia, ainda que por compaixão e a pedido do doente, a supressão
de tratamentos fúteis e que causam grande sofrimento ao doente,
a necessidade de incrementação de cuidados
paliativos, que respeitam o processo de morte em curso e promovam a
qualidade de vida do doente.

Montag, Dezember 18, 2006

PINOCHET

Mais uma vez a historia perdeu a oprtunidade para se redimir.
A justiça uma boa causa para prevalecer.
Traido pelo coração, uma suprema ironia para quem nunca mostrou sentimentos, Augusto Pinochet morreu sem ser julgado, sem pagar pelos inumeros crimes que cometeu.
O milagre economico chileno vestiu-se de sangue durante anos a fio sem que a maioria das democracias ocidentais tenham mostrado o minimo de emoção. A hipocrisia foi ensurdecedora.
Á imagem de Milosevic, Pinochet é mais um criminos a desaparecer sem ser julgado. Quem será o proximo?
Bush? Blair? Putin?
Já reza a historia, quem espera, desespera!

Donnerstag, November 30, 2006

O PRINCIPIO DO FIM...

Elsa era uma miúda normal.
Uma adolescente, cheia de sangue na guelra, 15
anos espevitados, com ohos azuis, cabelo
de seda e um corpo a prometer pecado.
Na idade do tudo ou nada.
Gostava de ser olhada pelos rapazaes e sabia
que mesmo os homens mais velhos a miravam
na rua. Mas isso não a fazia sentir mal.
Um novo sentimento de feminilidade corria-lhe
nas veias, embora não sabia muito bem o que
isso era, mas Elsa já percebia como se
manifestava o desejo.
Mas, o pior, é que também aprendeu
que a frescura da pele dela pode ter um preço.
E esse valor pode render tudo e mais alguma coisa.
Pelo menos foi o que uma das melhores amigas
Rita lhe contou e que se quiser ir a umas festas
com uns sujeitos que ela conhece pode comprar
tudo o que desejar. Elsa, pensou muito nisso.
Já fumava e já bebia.
Achava os rapazes da idade dela um bocado
parvos, meteu-se num carro com um amigo da
Rita que lhe disse que ela era muito gira.
A Elsa foi presa numa noite.
A policia afirmou que Elsa se estava a prostituir.
A mãe da Elsa achou que foi só um mau passo.
O pai, esse, não acha nada.
Raramente vivia com elas.
Afinal de contas a mãe da Elsa engravidara cedo
e também tivera problemas.
O ciclo da pobreza repete-se,
de geração em geração.
E repete-se, em todos os cantos do país.

Dienstag, November 07, 2006

O FIM DA CRISE!

Há dias o Ministro Antonio Pinho decretou o fim da crise!
(Não disse foi para quem!)
Tamanho júbilo só na cabeça do Ministro!
A avaliar pelos exemplos seguintes, podemos constatar que o Ministro tem razão.
Santana Lopes é o novo acessor juridico da EDP, (pela mão de Antonio Mexia)
com um ordenado de 10.000 Euros/mes.
No dia 1 de Abril de 2002 o Juiz Branquinho Lobo fora sujeito a uma "junta médica" que
por força de uma doença do foro psiquiátrico, considerou a sua incapacidade para estar ao serviço do Estado o que foi determinante para a passagem á aposentação.
Por esse motivo o DR. Branquinho Lobo passou a auferir uma pensão de aposentação de 5.320.00 Euros/Mes.
Contudo por resolução proferida no dia 30 de Julho de 2004, o Conselho de Ministros do Governo de Santana Lopes nomeou o DR. Branquinho Lobo como Director Nacional da PSP.
Desde então, o DR. Branquinho Lobo acumula a sua pensão de aposentação por INCAPACIDADE com o vencimento de Director Nacional da PSP!!

A GALP tem vindo a ser um albergue de parasitas no que toca a incompetentes.
Um quadro superior da GALP, admitido em 2002, saiu com uma indemnização
de 290.000 Euros em 2004, que entrara pela mão de Antonio Mexia e saiu de lá para a REFER,
quando Antonio Mexia passou a ser Ministro das Obras Públicas e Transportes.
O filho de Miguel Horte e Costa, recém licenciado entrou para lá aos 28 anos e a recerber 6.600 Euros/Mes.
Freitas do Amaral, foi consultor da empresa entre 2003 e 2005, por 6.350 Euros/Mes, além de gabinete e seguro de vida no valor de 70 meses de ordenado!
Manuel Queiró do PP, era administrador da area do imobiliario, 8000 Euros/Mes.
Guido Albuquerque, cunhado de Morais Sarmento, foi sacado da ESSO para a GALP, custo:
17 anos de antiguidade, ordenado de 17.400 Euros/Mes e seguro de vida igual a 70 meses de ordenado.
Ferreira do Amaral, presidente do conselho de administração, era renumerado de forma simbolica,
3.000 Euros/Mes, pelas presenças. Pouco depois da nomeação passou a receber PPRs de 10.000 Euros/Mes, o que prefaz um ordenado "simbolico" de 13.000 Euros/Mes!
Mas há mais!
Antes sustentar as gasolineiras espanholas que estão no mercado que estes vampiros!

Freitag, Oktober 06, 2006

MUNDO DA MENTIRA

O terror e o medo espalham-se por todo o planeta a um ritmo confrangedor.
Recentemente foram anunciadas medidas, visando julgar ditadores e criminosos de guerra em varios continentes, acusados de crimes de genocidio e contra a Humanidade, relançando-se uma certa esperança na defesa do Direito Internacional.
Mas, esta realidade apenas oculta uma verdade.
A justiça contemporanea é executada pelos fortes e vencedores de uma Historia imoral e manchada de sangue.
Senão vejamos: quem julgará os responsaveis do desmantelamento e desmembramento da ex-Jugoslavia, quem julgará os culpados pelo genocidio dos povos Afegãos e Iraquianos, pela opressão bárbara contra o povo Palestiniano, pela ruina e FOME em Africa, pela violencia e o terror praticados nas ditaduras sul-americanas, pela situação caótica de corrupção e miseria no Leste Europeu e por todos os crimes praticados contra os povos impotentes e a igreja que através da inquisição praticou os crimes mais abjectos?
Bush, Blair, Barroso e comparsas obdientes continuam a sorrir, deambulando impunes e serenos da vida……….

Donnerstag, September 21, 2006

O GRITO DAS VERDADES MUDAS

o Axadresado e a Magna Editora vem por este meio convidar vossas EXS: para o lançamento do:
O GRITO DAS VERDADES

Magna Notícias2006.09.21

LANÇAMENTO DE LIVRO No Sábado, dia 30 de Setembro de 2006, terá lugar o lançamento do livro “O grito das verdades mudas”, no Museu da Cidade de Lisboa, no Campo Grande. O autor, Paulo Jorge , nasceu em Braga, ao décimo dia de Janeiro, decorria o ano de 1977, e foi aí que viveu até aos seus 12 anos. Após essa idade deu início à viagem que é a sua vida. E viagem é a palavra certa para descrever essa vida. De Braga foi para o Porto, aos 16 anos seguiu para Lisboa e aos 18 o destino foi a Alemanha. Daí estabeleceu ponte para toda a Europa e alguns países da Ásia, como o Iraque. Dos 18 aos 26 anos conheceu toda a Europa onde teve a possibilidade de conhecer as realidades políticas, sociais e religiosas dos mais diversificados países. Aos 26 anos voltou a Portugal e sentiu a necessidade de intervir, escolhendo a escrita como forma de apaziguar essa necessidade de alertar para as injustiças a que assistia. É dessa necessidade, aliada aos conhecimentos adquiridos através da convivência com povos de dispares culturas, que resulta esta primeira obra do autor. ler mais



MAGNA EDITA FRANCESCA LAMBRUSCCO A obra de Francesca Lambruscco será editada em Portugal pela Magna Editora. Francesca Lambruscco nasceu no dia 10 de Abril no ano de 1976 na província de Modena, em Itália. Filha de pai italiano e mãe portuguesa. Desde muito nova cultivou o gosto pelas línguas, escrevendo e falando fluentemente italiano, português e francês, tornando-se esta última uma grande paixão. ler mais

Montag, September 04, 2006

LIBERDADE NO ENSINO

A liberdade é, muito justamente, um valor que os portugueses apreciam.
Mas há dimensões da liberdade que, 30 anos depois do 25 de Abril, ainda não parecem perfeitamente entendidas.
É o caso da liberdade de ensino.
Liberdade, antes de mais, para as famílias, que deveriam ter o direito de escolher a escola para os seus filhos.
Mas muitas vezes não o podem fazer, por razões económicas.
É que as escolas do Estado, pagas com o dinheiro de todos os contribuintes, são gratuitas ou quase.
Já as escolas privadas, que recebem cada vez menos apoios do Estado, essas têm de cobrar quantias que nem todos podem pagar.
Assim, inúmeros pais vêem-se forçados a mandar os filhos para escolas públicas, que com frequência transmitem aos alunos valores e conceitos que não são os das suas famílias.
Onde está, então, a liberdade?

Freitag, August 18, 2006

O DESEJO DA PAZ

A história ensina que a paz é um bem frágil.
Desejada por quase todos, continuamente desvanece por falta de clarividência, conflito de interesses ou injustiças prolongadas.
Vivemos hoje um desses momentos.
Aguardamos, de respiração suspensa, o desencadear de uma nova guerra.
Intuímos que ela poderá transbordar o quadro circunscrito do Médio Oriente, “novamente”.
Assistimos, provavelmente, aos últimos dias da ordem internacional laboriosamente construída depois da II Guerra Mundial.
Há alterações profundas em curso.
Mas por entre recriminações e violência que não auguram bom futuro para a ordem nova em gestação.
São, no entanto, também um sinal destes tempos conturbados as manifestações públicas que, um pouco por todo o lado, têm decorrido em favor de uma resolução pacífica do contencioso.
Em grande parte ordeiras, apelam à não violência e congregam pessoas de sensibilidades e proveniências ideológicas muito diversificadas.
Haja ou não guerra, haverá que lembrar estas vozes.
Irrealistas? Talvez.
Politicamente motivadas? Algumas!
Mas trazendo, nos seus vasos de barro, um sonho antigo, ameaçado por uma guerra mediatizada:
Que um dia a humanidade se irá reconciliar e as nações «transformarão, por fim, as espadas em relhas de arado»

Que assim seja!!!!!!

Mittwoch, Juli 26, 2006

MÉDIO ORIENTE

O Médio Oriente está, outra vez, a ferro e fogo.
Não é surpreendente, mas reitera a certeza de que a paz na região continua a não passar de um sonho – um sonho que muitos querem ver realidade e uns tantos, poucos, teimam em perpetuar.
É, escusado seria dizê-lo, o resultado de tensões e ódios acumulados que o fanatismo político e religioso gera, à revelia do direito e da justiça, à margem do mais elementar respeito pela vida humana.
A razão anula-se no terçar das razões e das armas – e o que fica é um rasto de destruição inexplicável de vidas e bens, que o mundo olha com aquela preocupação meio abúlica que a distância e o hábito mitigam.
E a diplomacia, a única solução real para o conflito, essa vai-se enredando em reuniões, palavras e discursos, incapazes, só por si, de convencer a largar as armas e a dialogar quem faz das armas os seus argumentos e da violência a sua linguagem.
De um lado e do outro, as vítimas aumentam de dia para dia, como sempre a maioria delas inocentes.
E já há mais de meio milhão de pessoas deslocadas das suas terras e casas.
Não se sabe quando as armas se vão calar.
Pode ser agora, pode demorar dias.
Mas cada hora de guerra que passa é uma machadada no futuro da região e – não se duvide – do mundo.
Ou não fosse a paz um valor universal.

Samstag, Juli 22, 2006

CONTRA A POBREZA

A pobreza é um flagelo contra o qual a humanidade tem de lutar sem parar.
Frases destas podem parecer banais.
Mas a pobreza é um escândalo num mundo onde já existem recursos suficientes para tirar toda a gente da miséria.
Ora, nem nos países mais ricos do mundo a extrema pobreza foi erradicada.
Eis uma terrível interpelação à consciência do poder político.
Depois do colapso do comunismo ter levado muita gente a desistir de mudar o mundo, a esperança e o sentido de responsabilidade por parte da sociedade não podem aceitar a resignação ao intolerável.
Acabar com a pobreza não é fácil.
Mas é um imperativo.
Sobretudo em Portugal, o país da União Europeia,
com maior desigualdade entre ricos e pobres.

Mittwoch, Juli 19, 2006

VATICANO

O “nazista” Bento XVI decidiu abrir “todos” os arquivos do Vaticano entre 1922 e 1939 a partir de 18 de Setembro.
Os estudiosos e historiadores passarão a ter acesso a documentos que “poderão ajudar a esclarecer” o que a Igreja Católica sabia e o que (não) fez em relação ao advento do social-nazismo, na Alemanha.
Em causa estão os arquivos secretos e os registos de Estado do Pontificado do papa Pio XI, o papa de Hitler.
Há muito que os historiadores vêem a pressionar o Vaticano para que os arquivos da altura fossem abertos, de modo a que as dividas fossem esclarecidas tais como se o Vaticano sabia (ou não) sobre o massacre dos judeus na Europa.
O papa Pio VII, eleito em Fevereiro de 1939, é acusado de ter omitido o holocausto. O que os historiadores não irão encontrar é explicação para o facto da Igreja/Vaticano terem omitido o holocausto.
Tampouco irão encontrar documentos sobre o tratado com a Alemanha nazista em 1933, tratado esse que fora coordenado pelo então secretario de estado do Vaticano Pio VII, durante o papado de Pio VI.
A herança desse acordo que dura até hoje, que é o Kirchensteuer, taxa da Igreja, taxa essa que é deduzida automaticamente nos salários do povo alemão e que vale tanto para católicos, como para protestantes.
(a menos que renunciem á religião)
Em 1978 o faturamento dessa taxa chegou a um bilhão e novecentos milhões de dólares.
A posição de Pio VII sobre as “guerras justas” foi comunicada aos cleros de França e Alemanha de uma forma que os autorizou a declarar aos oposicionistas que tinham a bênção da Igreja.
Mas esta abertura aos arquivos por parte do Vaticano é sem duvida um passo importante.
Mas, será que os historiadores terão acesso a todos?
Não creio, porque isso seria uma derrocada para o mundo católico.
Ao longo dos tempos o Vaticano sempre se moldou e moldará em tornos dos interesses monetários, essa é a religião do Vaticano.

Donnerstag, Juni 22, 2006

DE VOLTA AO FASCISMO?

No passado mês de Maio, fora entregue no Parlamento o primeiro pedido de referendo da nossa historia constitucional.
80 mil assinaturas, ou seja, 80 mil portugueses, solicitaram a realização de um referendo sobre a procriação medicamente assistida.
Algumas técnicas que a ciência oferece para ajudar a ter filhos, suscitam graves problemas de ordem moral.
Daí o pedido de referendo, certamente discutível, mas, legitimo.
Desde logo a maioria dos deputados, preferiram porém ignorar o pedido de referendo, logo após a sua entrega e a lei fora aprovada.
O que sendo legal, é politicamente estranho, revelando elevado desinteresse pela vontade das pessoas, o que revela uma manifestação de má fé, assim o prestigio dos deputados sofre mais um rude golpe.
Pondo em causa a possibilidade de, por iniciativa dos cidadãos, se organizarem referendos.
Tudo isto revela o serviço que o poder politico presta á ANTIDEMOCRACIA, ou será que estamos de volta ao fascismo?

Donnerstag, Juni 15, 2006

A CONTRADIÇÃO

É curioso quem ao mesmo tempo que em Portugal a polémica sobre o encerramento das maternidades está a atingir o seu ponto de ruptura, com o ministro da saúde a dizer que a vida dos recém nascidos está em risco e os autarcas respondem que o ministro diz disparates, o Presidente da Republica afirmou numa conferencia sobre o futuro da Europa, que é necessário responder aos anseios mais imediatos das populações para que estas acreditem que há um futuro á sua frente.
Os anseios mais imediatos das populações, neste caso é que as “suas” maternidades se mantenham abertas.
Mas, para que o Estado consiga ter dinheiro para poder continuar a assegurar hospitais, escolas, pensões para todos necessita urgentemente de cortar despesas. Há aqui uma contradição entre os anseios mais imediatos dos que pretendem ao mesmo tempo manter as maternidades, as escolas, as reformas e os inúmeros serviços e direitos a que o Estado social nos habituou.
Anteriormente fora votada a lei da nacionalidade, ou seja quem nasce em Portugal é português, lei essa que vigora em Espanha há muito.
E agora as mães portuguesas que terão os seus filhos em Espanha, será que esses serão portugueses ou espanhóis?
Eis a contradição!

Sonntag, Juni 11, 2006

TIMOR

Quatro anos depois da conquista da independência, num processo dramático, as armas ouvem-se de novo no país, timorenses contra timorenses, provocando vítimas e obrigando milhares de pessoas a procurarem refúgio além-fronteiras.
Não é fácil encontrar uma razão objectiva para este regresso da violência.
Mas não se andará longe da verdade, se se disser que tudo se deve a uma conjugação de circunstâncias que se mantêm latentes no país: questões étnicas nunca ou mal resolvidas, inexperiência política, falta de maturidade democrática e – a mais importante, a que acaba por fazer emergir as outras – a prevalência de poderosos interesses económicos relacionados com o petróleo do Mar de Timor.
A situação não é fácil de resolver, tanto a nível político como militar, e exige uma resposta pronta da comunidade internacional, aliás já concretizada com a chegada de tropas australianas e de um contingente português da GNR.
É, porém, apenas, a acção imediata possível, com o intuito de pôr fim aos combates – e está longe de levar, só por si, a uma solução duradoura e estável.
Essa terá de passar pelos próprios timorenses, a começar pelos órgãos de soberania, através da consciencialização de que, para lá das divergências, só a comunhão de objectivos pode conduzir à reconstrução do país.
A aceitação quase unânime da sua voz por parte da população pode traduzir-se, como noutras ocasiões graves, numa grande capacidade de unir.
E a união conduz sempre à paz.

Sonntag, Mai 28, 2006

ATÉ QUANDO?

Passaram agora três anos sobre a intervenção militar no Iraque, liderada pelos Estados Unidos.
Num rápido balanço dos resultados, constata-se que Saddam Hussein foi derrubado e que se esboça no país, pelo menos em teoria, um regime democrático.
Mas, constata-se também e é isso que infelizmente, mais se destaca, que morreram milhares de pessoas, numa arrepiante cadencia praticamente diária que não dá mostras de diminuir.
E o que é mais estranho é que são os Iraquianos, na sua maioria civis inocentes, as principais vítimas da violência que se espalha pelo país.
Embora recentemente, se tenha reacendido, de forma sangrenta a velha luta intestina entre sunitas e xiitas, é sobretudo o terrorismo a ditar a sua lei.
Sempre injustificado por natureza, mas neste caso, inexplicável.
Iraquianos, matar Iraquianos, porquê?
E para quê?
Responder-se-á que o objectivo é criar terror e instabilidade.
Mas se assim é, não se entende a vantagem imediata, ou a prazo tiram os Iraquianos desse caos, se já se percebeu que não é por aí que passa uma retirada das tropas estrangeiras, alegadamente, a meta pretendida.
Certo é que três anos depois, o povo Iraquiano continua a ser vítima da opressão. Não de um brutal ditador, como era Saddam, mas da brutalidade de quem o utiliza como pretexto para justificar e prosseguir uma luta sem lógica e sem razão, que se estende muito para além das fronteiras do Iraque.
E o pior o mais preocupante, é que a consciência internacional parece ter sido invadida por uma onda de indiferença.
Ou, o que é ainda mais grave, parece ter-se convencido da sua impotência perante a tragédia, ou terão todos medo do Bush.

Se assim é, até quando??